Sobre o Autor

Eli Pariser é autor, organizador on-line e co-fundador da Upworthy, uma startup focada em viralizar contéudos. Durante o período que passou na MovenOn.org, de 2001 a 2008, a organização cresceu 10 vezes e arrecadou quase US $ 120.000.000 em pequenas doações. Seu livro, The Filter Bubble: O que a Internet está escondendo de você, tornou-se um bestseller segundo a lista publicada pelo New York Times, e sua palestra no TED sobre o mesmo assunto já foi vista mais de 2 milhões de vezes e foi considerada uma das principais palestras do ano pelo curador do TED, Chris Anderson. Pariser também ajudou a criar o Avaaz.org, um movimento global on-line com mais de 24 milhões de membros em todos os países do planeta. Ele atuou nos conselhos do Access, Avaaz, MoveOn.org, o New Organizing Institute, Open Society US Programs e várias outras organizações.

Projetos

MoveOn.org

MoveOn é uma organização americana sem fins lucrativos, progressista, formada pelo grupo de defesa da ordem pública e pelo comitê de ação política, que levantou milhões de dólares para os candidatos identificados como "progressistas" nos Estados Unidos através de pequenas doações. Foi formada em 1998, em resposta ao impeachment do presidente Bill Clinton pela Câmara dos Representantes dos EUA. Atualmente, a empresa possui mais de 8 milhões de membros americanos e utiliza a inovação tecnológica como forma de promover mudanças sociais e campanhas de caráter progressista nos EUA.

Avaaz.org

Avaaz é uma rede de ativistas para mobilização social global através da Internet. Foi fundada em 2006, conjuntamente com a Res Publica e MoveOn.org, unindo suas experiências no campo jurídico e de ativismo online. Sua principal missão é mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas quer. Hoje, a Avaaz está presente em 16 línguas, possui mais de 41 milhões de membros espalhados por 194 países e coordena mobilizações em todo o mundo, demonstrando que as ferramentas on-line permitem que muitas ações pequenas se somem para gerar um forte impacto.

Upworthy

Upworthy é um website fundado em 2012 por Eli Pariser e Peter Koechley, com o objetivo de promover histórias de conteúdo viral por diferentes tipos de mídias (vídeos, imagens, gráficos, artigos, etc) com tendências progressistas sobre questões políticas e sociais. Sua missão é que estas histórias sejam compartilhadas através de diferentes redes sociais existentes, que hoje já alcançam 50 milhões de pessoas a cada mês.

The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You

 

 

Publicado em 2011, este livro explica o mecanismo da personalização de busca utilizada por ferramentas modernas de pesquisa como Google, Facebook e Yahoo que filtram, através de um algoritmo, os resultados de busca de acordo com as informações do usuários, como sua localização e histórico de pesquisa e navegação, e este filtro se torna cada vez maior e impede os usuários de ver a Web sem discriminação, retornando apenas resultados que eles acham que os usuários querem ver. De acordo com Pariser, os usuários são menos expostos a pontos de vista conflitantes com os seus e são isolados intelectualmente em suas bolhas de informação e cultura. Este é o efeito do filtro bolha.

Filtro Bolha

1. A corrida pela relevância

[...]“A chave para o futuro da televisão”, escreveu, “é pararmos de pensar na televisão como uma televisão” e começarmos a pensar nela como um aparelho com inteligência. Os consumidores precisavam era de um controle remoto que controlasse a si mesmo, um auxiliar inteligente e automatizado que aprendesse a que cada pessoa assistia e então selecionasse os programas relevantes para ela. “Os aparelhos de TV atuais permitem que controlemos o brilho, o volume e o canal”, escreveu Negroponte. “Os aparelhos do futuro permitirão que escolhamos entre sexo, violência e questões políticas.”
[...]Negroponte imaginou um futuro repleto de agentes inteligentes que nos auxiliassem com problemas semelhantes ao da TV. Atuando como um mordomo, o agente só nos ofereceria nossos programas e tópicos preferidos. “Imagine um futuro”, escreveu Negroponte, “no qual tenhamos um agente de interface capaz de ler todos os jornais e revistas, acompanhar todas as transmissões de TV e rádio do planeta, e então construir um resumo personalizado. Esse jornal seria então impresso numa edição que poderíamos chamar de… Diário do Eu.” 
Quanto mais Negroponte pensava no assunto, mais sentido aquilo fazia. A solução para a sobrecarga de informações da era digital era a utilização de editores inteligentes, personalizados, embutidos. Na verdade, esses agentes não precisariam se limitar à televisão; como ele sugeriu ao editor da nova revista de tecnologia Wired, “os agentes inteligentes são o futuro inequívoco da computação”.
[...]Sob a superfície de todos os sites que visitamos, existem agentes inteligentes pessoais. Eles se tornam mais inteligentes e potentes a cada dia que passa, acumulando informações sobre quem somos e sobre os nossos interesses. Seguindo a previsão de Lanier, os agentes não trabalham só para nós: também trabalham para gigantes do software como o Google, apresentando-nos propaganda além de conteúdo. Os novos agentes não têm a cara estilizada do Bob, mas determinam proporção cada vez maior da nossa atividade on-line
Em 1995, a corrida pela oferta de relevância pessoal estava só começando. Mais do que qualquer outro fator, esse propósito foi o que moldou a internet que conhecemos hoje.  
O Problema de John Irving
 Jeff Bezos, presidente da Amazon.com, foi uma das primeiras pessoas a perceber que seria possível utilizar o poder da relevância para ganhar alguns bilhões de dólares. A partir de 1994, sua ideia foi levar a venda de livros on-line “de volta aos tempos do pequeno livreiro que nos conhecia tão bem e dizia coisas como ‘eu sei que você gosta de John Irving, e, veja só, tenho aqui este novo autor, que é bem parecido com ele’”, contou Bezos a um biógrafo. Mas como fazê-lo em grande escala? Para Bezos, a Amazon precisava ser “uma espécie de pequena empresa de inteligência artificial” movida por algoritmos capazes de estabelecer instantaneamente uma correspondência entre consumidores e livros.
Bezos começou a pensar em máquinas capazes de aprender. Era um desafio e tanto, mas um grupo de engenheiros e cientistas vinha trabalhando na questão desde a década de 1950, em instituições de pesquisa como o MIT e a Universidade da Califórnia, em Berkeley. A área se chamava “cibernética” – uma palavra retirada dos escritos de Platão, que a criou para denotar um sistema autorregulado, como uma democracia. Para os primeiros estudiosos da cibernética, não havia nada mais emocionante do que construir sistemas capazes de se autoajustar, com base na retroalimentação. Nas décadas seguintes, esses estudiosos estabeleceram as bases matemáticas e teóricas que guiariam boa parte do crescimento da Amazon.
Na Amazon, a busca de mais dados sobre o usuário é interminável: quando você lê um livro em seu Kindle, os dados sobre as frases que realçou, as páginas que virou e se começou a leitura do início ou preferiu antes folhear o livro são todos enviados de volta aos servidores da Amazon, sendo então usados para indicar quais livros você talvez leia a seguir. Quando nos conectamos depois de um dia inteiro na praia lendo e-books num Kindle, a Amazon adapta sutilmente seu site segundo aquilo que lemos: se passamos muito tempo lendo a última obra de James Patterson, mas só corremos os olhos por nosso novo guia de dietas, talvez recebamos mais sugestões de livros de aventura e menos de livros de saúde. 
Os usuários da Amazon estão tão acostumados à personalização que o site agora utiliza um truque inverso para ganhar algum dinheiro a mais. Os editores normalmente pagam para ter seus livros colocados em livrarias físicas, mas não têm como comprar as opiniões dos vendedores das lojas. Entretanto, como previu Lanier, é fácil comprar algoritmos: basta pagar o suficiente à Amazon, e seu livro poderá ser promovido como se fosse uma recomendação “objetiva” do software da Amazon. Para os clientes, geralmente é impossível fazer a distinção.
A Amazon provou que a relevância pode levar ao domínio de um setor. Mas foram dois estudantes de pós-graduação de Stanford que aplicaram os princípios da inteligência artificial a todo o mundo da informação on-line.
O Mercado de Dados
A busca da relevância gerou os gigantes da internet de hoje e está motivando as empresas a acumular cada vez mais dados sobre nós e a usá-los para adaptar secretamente nossas experiências on-line. Está transformando o tecido da rede. Porém, como veremos, as consequências da personalização sobre o modo como consumimos notícias, como tomamos decisões políticas e até como pensamos serão ainda mais drásticas.
Leitura Complementar
Para entender mais sobre como funciona o Filtro bolha: a verdade por trás do que aparece no seu feed