Os Autores


Don Tapscott 
Don Tapscott, CEO do The Tapscott Group, é uma das principais autoridades mundiais sobre o impacto da tecnologia nos negócios e na sociedade. Ele é autor de 16 livros, incluindo Wikinomics: Como a colaboração em massa pode muda o seu Negócio.
O mais recente e ambicioso livro de Don em co-autoria com seu filho, o CEO de startups e especialista em governança de bitcoin, Alex Tapscott. A Revolução Blockchain: como a tecnologia por trás das Bitcoins está mudando o dinheiro, os negócios e o mundo.

Em 2017, Don e Alex co-fundaram o Blockchain Research Institute, para conduzir uma investigação sobre a estratégia das blockchain, casos de uso, desafios de implementação e transformações organizacionais.

Anthony D. Williams


Anthony D. Williams é fundador e CEO da empresa Anthony D. Williams Consultoria localizada em Toronto, Canadá. É co-autor com Don Tapscott do best-seller internacional "Wikinomics: Como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio".

Williams tem mestrado em Pesquisa em Ciência Política pela London School of Economics e é doutorando no Departamento de Governo da Universidade.

O Livro


Traduzido para mais de 20 idiomas e eleito como um dos melhores livros de negócios de 2007 por revisores em todo o mundo, o Wikinomics se tornou leitura essencial para pessoas de negócios em todos os lugares. Ele explica como a colaboração em massa está acontecendo não apenas em sites como a Wikipédia e o YouTube, mas também em empresas tradicionais que adotaram a tecnologia para dar nova vida às suas empresas.


Ao longo da história, as empresas se organizaram de acordo com linhas de autoridade estritamente hierárquicas. Todo mundo estava subordinado a alguém — funcionários e gerentes, vendedores e consumidores, produtores e fornecedores terceirizados da cadeia de suprimentos, empresas e comunidade. Sempre havia alguém, ou alguma empresa responsável, que controlava, que estava no "topo" da cadeia alimentar. Embora as hierarquias não estejam desaparecendo, mudanças profundas na natureza da tecnologia, da demografia e da economia global estão fazendo emergir novos e poderosos modelos de produção baseados em comunidade, colaboração e auto-organização, e não em hierarquia e controle.

Cap. 1 WIKINOMICS

A Arte e a Ciência do Peering

McEwen teve uma epifania e encostou-se na sua cadeira para ponderar. Se os funcionários da Goldcorp não conseguiam achar o ouro de Red Lake, talvez outra pessoa pudesse conseguir. E talvez a chave para achar essas pessoas fosse abrir o processo de exploração da mesma maneira que Torvalds "abriu o código" do Linux.
Em março de 2000, o "Desafio Goldcorp" foi lançado com um prêmio de US$575 mil em dinheiro para os participantes que tivessem os melhores métodos e estimativas. Cada pedacinho de informação (um total de aproximadamente 400 megabytes) sobre a propriedade de 222 km² foi revelado no site da Goldcorp. As notícias do concurso se espalharam rapidamente pela internet à medida que mais de mil prospectores virtuais se ocupavam em analisar os dados.
Hoje, a Goldcorp colhe os frutos da sua abordagem "de código aberto" em relação à exploração. O concurso não apenas produziu ouro em profusão, mas também catapultou uma empresa com um desempenho insatisfatório de US$100 milhões ao patamar de uma potência com um faturamento de US$9 bilhões ao transformar uma mina atrasada no norte de Ontario em uma das propriedades mais inovadoras e rentáveis do ramo. Não é necessário dizer que McEwen está feliz da vida. Assim como os seus acionistas. Cem dólares investidos na empresa em 1993 valem mais de US$3 mil hoje.
McEwen viu as coisas de outra maneira. Percebeu que mentes qualificadas para fazer novas descobertas estavam provavelmente fora dos limites da sua organização e, ao compartilhar propriedade intelectual, pôde explorar o poder da genialidade e da competência coletivas. Ao fazer isso, ele tropeçou no futuro da inovação, dos negócios e da maneira como será criada a riqueza e quase todo o resto. Bem-vindo ao novo mundo da wikinomics, onde a colaboração em massa transformará todas as instituições em sociedades.

O NOVO MUNDO DA WIKINOMICS


Devido às profundas mudanças em tecnologia, demografia, negócios, na economia e no mundo, estamos entrando em uma nova era, na qual as pessoa participam da economia como nunca antes. Essa nova participação atingiu um ápice no qual novas formas de colaboração em massa estão mudando a maneira como bens e serviços são inventados, produzidos, comercializados e distribuídos globalmente. Essa mudança apresenta oportunidades de longo alcance para todas as empresas e pessoas que se conectam.
No passado, a colaboração era, na maioria das vezes, de pequena escala. Era algo que acontecia entre parentes, amigos e sócios em lares, comunidades e locais de trabalho. Em ocasiões relativamente raras, a colaboração se aproximava de uma escala de massa, mas isso acontecia principalmente em episódios rápidos de ação política. Pense nos protestos contra a guerra do Vietnã ou, mais recentemente, nas turbulentas manifestações antiglobalização em Seattle, Turim e Washington. No entanto, nunca antes os indivíduos tiveram o poder ou a oportunidade de se conectar livremente em redes de colaboração para produzir bens e serviços de uma maneira muito tangível e contínua.
Hoje, as coisas estão mudando. O acesso crescente à tecnologia da informação coloca nas pontas dos dedos de todos as ferramentas necessárias para colaborar, criar valor e competir. Isso libera as pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia. Milhões de pessoas já unem forças em colaborações auto-organizadas que produzem novos bens e serviços dinâmicos que rivalizam com os das maiores e mais bem financiadas empresas do mundo. Esse novo modelo de inovação e criação de valor é chamado de peer production, ou peering — uma descrição do que acontece quando grupos de pessoas e empresas colaboram de forma aberta para impulsionar a inovação e o crescimento em seus ramos.
Alguns exemplos de peering tornaram-se recentemente nomes conhecidos. Em agosto de 2006, a vasta rede online MySpace tinha cem milhões de usuários — e crescia ao ritmo de meio milhão de usuários por semana —, cujas reflexões, conexões e perfis eram os motores primários da criação de valor no site. MySpace, YouTube, Linux e Wikipédia — os exemplos atuais da colaboração em massa[...]
Os indivíduos agora compartilham conhecimento, capacidade computacional, largura de banda e outros recursos para criar uma vasta gama de bens e serviços gratuitos e de código aberto que qualquer um pode usar ou modificar. E mais, as pessoas podem contribuir com os "espaços digitais públicos" (digital commons) a um custo muito baixo para si próprias, o que torna a ação coletiva bem mais atraente. De fato, o peering é uma atividade bastante social. Tudo o que uma pessoa precisa é um computador, uma conexão de rede e uma faísca de iniciativa e criatividade para se juntar à economia.
Essas novas colaborações atenderão não apenas a interesses comerciais, mas também ajudarão as pessoas a executar tarefas com espírito público, como curar doenças genéticas, prever mudanças climáticas globais e encontrar novos planetas e astros. Os pesquisadores do Olson Laboratory, por exemplo, usam um enorme supercomputador para avaliar possíveis medicamentos para a cura da AIDS. No entanto, não se trata de um supercomputador qualquer. A iniciativa FightAIDS@home faz parte da World Community Grid, uma rede global na qual milhões de usuários individuais de computadores doam a sua capacidade computacional ociosa via internet para formar uma das plataformas computacionais mais poderosas do mundo.
Existem muitos nomes para essa nova web: Web 2.0, Living Web, Hypernet, Active Web, Read/Write Web.C hame do que você quiser — o sentimento é o mesmo. Estamos todos participando do surgimento de uma plataforma global e onipresente para computação e colaboração que está remodelando quase todos os aspectos das relações humanas. Enquanto a velha web era constituída por sites, cliques e chats, a nova web é composta de comunidades, participação e peering. À medida que os usuários e a capacidade computacional se multiplicam e as ferramentas de fácil utilização proliferam, a internet vai se tornando um computador global, vivo e conectado em rede que qualquer um pode programar. Até mesmo o simples ato de participar de uma comunidade online é uma contribuição para os espaços digitais públicos — seja fazendo negócios com a Amazon, produzindo um videoclipe para o YouTube, criando uma comunidade em torno da sua coleção de fotos no flickr ou editando o verbete sobre astronomia na Wikipédia.
Essa nova web já conecta mais de um bilhão de pessoas diretamente e, ao contrário da Web 1.0, expande-se para o mundo físico, conectando inúmeros objetos inertes, de portas de hotéis a carros. Ela está começando a oferecer novos serviços dinâmicos — desde ligações de longa distância via videofones até neurocirurgias à distância. E ela cobre o planeta como uma pele, conectando uma máquina que solda processadores em placas de circuito em Cingapura a um armazém de processadores nos Estados Unidos.
A nova arte e ciência da wikinomics se baseia em quatro novas e poderosas idéias: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Esses novos princípios estão substituindo algumas velhas doutrinas dos negócios. O nosso objetivo neste livro é fornecer exemplos vivos de como as pessoas e organizações estão utilizando esses princípios para impulsionar a inovação em seus locais de trabalho, comunidades e indústrias.
A nova arte e ciência da wikinomics se baseia em quatro novas e poderosas idéias: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Esses novos princípios estão substituindo algumas velhas doutrinas dos negócios. O nosso objetivo neste livro é fornecer exemplos vivos de como as pessoas e organizações estão utilizando esses princípios para impulsionar a inovação em seus locais de trabalho, comunidades e indústrias.
A nova globalização causa, e ao mesmo tempo é causada por, mudanças na colaboração e na maneira como as empresas orquestram a capacidade de inovar e produzir coisas. Permanecer globalmente competitivo significa monitorar internacionalmente as mudanças nos negócios e utilizar um parque de talentos globais muito mais vasto. Alianças globais, mercados de capital humano e comunidades de peering possibilitarão o acesso a novos mercados, idéias e tecnologias. Será necessário gerenciar os ativos humanos e intelectuais em várias culturas, disciplinas e fronteiras organizacionais. As empresas vencedoras terão de conhecer o mundo, inclusive os seus mercados, tecnologias e pessoas. Aqueles que não o fizerem se sentirão deficientes, incapazes de competir em um mundo empresarial que é irreconhecível segundo os padrões atuais.
Se você deseja entender mais sobre os conceitos explicados no livro, assista a essa palestra de Don Tapscoot no Youtube (Disponivel apenas em inglês):